O Brasil como marca

 

 

 

 

 

Recentemente, o Andre Miranda, fez uma pergunta na fanpage sobre a possibilidade do Brasil levar mais a sério as disciplinas de TI, design e branding, como forma de competir no mercado internacional. Fiquei um tempo pensando sobre isso e cheguei a uma conclusão que envolve alguns ângulos, vamos tentar falar sobre o principal deles.


1. A falta de uma “marca país” 

 

Se você acompanha as nossas reflexões, sabe que não me refiro ao logotipo Brasil, que na verdade são vário ( um para o turismo, um para o governo, e por aí vai…). Me refiro a uma identidade de marca, uma essência, uma plataforma de valores capaz de reunir, mobilizar, engajar as pessoas a sua volta. 

Uma das coisas mais difíceis no branding é criar/recuperar/despertar o “senso de pertencimento”. Se o branding é um processo de dentro pra fora, é fundamental que os envolvidos internamente com a marca se sintam, efetiva e afetivamente parte dessa marca. O sucesso de uma marca, em muitos casos, depende dessa relação.

Em uma rápida reflexão, você se sente representado ou pertencendo a uma marca Brasil?

Uma pergunta subjacente, mas igualmente reveladora seria, a qual marca Brasil esse cara se refere? 

Evidentemente , lugares e, principalmente países são marcas plurais, polifônicas. No nosso caso, todavia, podemos pensar, o país do futebol, o país do futuro, o país do Carnaval,  país dos políticos e da corrupção, o país da hospitalidade, o país do jeitinho… e por aí vai…

Todas essas dúvidas remetem a uma verdade, ao meu ver inegável, simplesmente não temos uma marca-país, nunca tivemos uma estratégia nacional que refletisse de verdade sobre esse tema ao invés de ficar fazendo logotipos para “inglês ver”

Uma marca-lugar deve, entre outros (com referência ao trabalho de Sarah Tayebi, 2006):

 

Estabelecer uma gestão horizontal de marca, através de comitês ou grupo de pessoas

Escolher os representantes  do comitê da marca de forma multihierárquica e multidisciplinar

Ter relação direta com a “vida real” da cidade/ lugar

Gerar um “senso de pertencimento”, criando um sentimento de orgulho 

Gerenciar a igualdade social e as oprtunidades

Ser um guarda-chuva reunindo as identidades dos moradores e da região, sendo o resultado dessa pluralidade, promovendo-as ao invés de divi-las 

Reter talentos

Ser representada por um “posicionamento” e por uma plataforma de identidade cuidadosamente construída através de suas características específicas.


1.1 Incapacidade de reter talentos

 

Um outro reflexo desse descompasso é a incapacidade de reter talentos nas diferentes áreas do conhecimento. Como não existe um pensamento estratégico como fio condutor no processo de gestão e construção constante de nossa marca país, deixamos “escapar” pesquisadores, criativos, cientistas, etc… que são seduzidos por melhores condições em países que tem como característica de sua “plataforma de marca” atividades que envolvem essas especialidades e, portanto, um aporte de investimento governamental, ou não, que cria um novo movimento migratório, de mentes privilegiadas, para países mais bem estruturados ( não necessariamente mais ricos). Um grande desafio, para qualquer grande marca, é a retenção de talentos. Nossa marca país, por enquanto, erra feio.


1.2. Certificado de origem

 

Além de uma marca-país bem estabelecida e construída, vimos que também sofremos com a incapacidade de nos referirmos a algum produto e serviço com a excelência suficiente para criar um certificado de origem ou D.O.C, que começou com os vinhos e agora está em tudo que é lugar. No mudo temos vários exemplo bem sucedidos dessa origem, alguns bem óbvios: chocolates / suíça, vinhos/ Itália e França, carros/ Alemanha. Em muitos casos essa origem se inicia em uma marca/ conjunto de marcas específicas que após muito sucesso, acaba importando seus valores a um país ou região. Por outro lado, nada impede que isso seja um processo estratégico, de avaliação das principais competências de um país e o incentivo/investimento no desenvolvimento dessa especialidade com objetivo de inclusão no cenário global.


Minha conclusão, diante essa rápida reflexão, é que em um país onde falta organização em aspectos essenciais como um projeto-país o pensamento de marca ficará relegado, infelizmente, a esfera do turismo, quando muito.

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | maio 3rd, 2013

Qual o valor de uma idéia?

Como relacionar valor a uma idéia? Esse desafio é enfrentado diariamente em diversos setores do mercado. A chamada “economia criativa”, que segundo o autor inglês John Howkins no livro “The Creative Economy”, são atividades na quais resultam em indivíduos exercitando a sua imaginação e explorando seu valor econômico, e pode ser definida como processos que envolvam criação, produção e distribuição de produtos e serviços, usando o conhecimento, a criatividade e o capital intelectual como principais recursos produtivos, ainda não achou uma solução certeira para comparar o valor de algo palpável a algo abstrato, intangível. Ainda é muito mais fácil perceber valor em algo que é físico, algo que eu possa guardar, na segurança de um cofre ou na confiabilidade de uma instituição financeira e eventualmente negociar, com valores de mercado minimamente controlados, em uma situação de necessidade.

Uma idéia, por sua vez, é algo que embora tenha um enorme poder transformador, ainda assim é volátil, de difícil verificação e comprovação instantânea de seu valor.

Afinal, o que faz uma idéia ser boa ou ruim? valiosa ou irrelevante?

Muitas podem ser as respostas, entre elas, a capacidade transformadora e seu poder inovador ou simplesmente o fato dela ser coerente ou correta frente ao problema proposto.

Se uma idéia é algo tão simples porque, então, pode ser tão cara ?, afinal não existem custos de matéria prima envolvidos. 

Se pensarmos no ser “criativo” como um indivíduo dotado de um talento “divino” que em um momento de iluminação, numa fração de segundos foi tocado pela “loucura criativa”, realmente podemos ponderar sobre o seu custo. Claro que, na vida real, longe do cinema e das novelas, a criatividade é sinônimo de processo, de reflexão contínua e prolongada, quando não de anos de estudo e aprimoramento profissional. 

Nesse caso uma idéia, não é só uma idéia, mas sim um conjunto de ações e desdobramentos, experiências vivida, horas de leitura, de praxis, que levaram a aquele momento, naquela sacada durante aquela reunião massante onde não se chegava a lugar algum.

Mais do que uma idéia, o branding, para usar um exemplo de produto intelectual, é um “conjunto de idéias” necessariamente transformadoras. Nós, agências e profissionais de branding, sofremos duplamente. Primeiro pela dificuldade de compreensão do mercado sobre o patrimônio intelectual e em segundo lugar pela dificuldade de compreensão de que diabos nós realmente fazemos. Nesse segundo caso, isso se deve, em grande parte ao próprio mercado de comunicação, que adota os termos da moda para se promover, vendendo, muitas vezes, algo de que não tem idéia ( ou que tem uma idéia errada) do que é de fato. Isso causa um nó ainda maior na cabeça do consumidor, afinal, se “todo mundo” faz porque essa diferença desregrada de preços?

Poderia enumerar as bobagens que já ouvi sobre branding, design, design thinking de pessoas supostamente relevantes de campos de atuação diretamente ligados a gestão de marca e design.

Diante dessa reflexão eu quase entendo a opção por um serviço como os “leilões de logos” que já foram alvo de tantas críticas ( nossas inclusive). É infinitamente mais fácil vender um “desenho” do que uma idéia que resultará em um desenho,e que por isso precisa se submeter a um processo que pode, não necessariamente, ser rápido. O sucesso desse tipo de serviço, os marketplaces da vida, onde você escolhe, paga e leva, é um ótimo exemplo não só de como é difícil vender uma idéia mas de como o mercado ainda não aprendeu a distinguir as características distintivas entre os serviços oferecidos.

Toda vez que pensamos em identidade visual, por exemplo, imaginamos que o empreendedor que contratará esse serviço, o faz pensando na diferenciação. Como um produto, no caso dos marketplaces não se trata mais de um serviço. Algo que está disponível a qualquer um, independente das suas características próprias, pode ser diferenciador? Se sabemos que, nesse caso, o produto não cumpre seu objetivo, mesmo que tenhamos pago muito pouco por ele, foi barato ou foi caro?

Uma vez ouvi de um presidente de uma multinacional que barato ou caro é uma simples questão de retorno de investimento. Se investir, digamos, 1 milhão em uma identidade visual resultante de um processo de branding ( valor obviamente absurdo) e isso me resultar em 10 milhões de lucro, esse preço, mesmo que exorbitante, foi “barato”.

É claro que para chegarmos a essa conclusão precisamos de métricas e avaliação coerentes, coisas um tanto incomuns no mercado de comunicação.

O próprio design também sofre com a dificuldade do intangível. Associações e publicações tentam “coisificar” o processo. Por exemplo, do que importa quantas páginas tem um catálogo, por exemplo, na composição de preço do processo criativo? é mais caro pensar 20 páginas do que 10? será? talvez não, mas é muito mais fácil para o consumidor entender que, como esse trabalho é “maior” que o outro, logo deve ser mais caro ( nesse exemplo a diferença de preço implica também no processo de fechamento das páginas, aí sim, quanto mais páginas, mais caro)

Podemos ver esse fenômeno até na indústria automobilística. Porque será que a tecnologia inovadora embarcada sempre está nos carros maiores e top de linha? Será que se uma inovação tecnológica gigantesca aparecesse no Fiat 500 e por isso mesmo ele fosse mais caro que um sedã de luxo isso seria percebido? Muito provavelmente não.

Vivemos um momento delicado de crise econômica mundial. Nesse cenário ora se acha que a “boa idéia” tem um valor absurdo, ora se acha que é irrelevante.

É importante explicarmos que qualquer projeto sempre será cobrado proporcionalmente a sua complexidade ao mesmo tempo que atualmente, qualquer agência séria tem seu programa de startup, quando não até de branding social voltado para grupos produtivos e empresas sociais, como é o nosso caso.

Tão importante quanto esclarecer a necessidade de um processo para se chegar a um fim é importante ressaltar que os processos criativos, e aí coloco tudo no mesmo balaio: branding e design não são necessariamente caros. 

Mas obviamente você sempre poderá comprar “uma logo” na internet por R$ 49,90.

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | abril 15th, 2013

Estágio em Design gráfico na CEB+D

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | março 25th, 2013

Marca pessoal, Marketing pessoal e Auto-ajuda.

 

Muitas vezes vemos vários textos e matérias falando de marca pessoal com um recorte com cara de auto ajuda, vamos usar uma abordagem diferente.

No que se refere a marca pessoal, marketing e o branding também mostram suas diferenças básicas. É comum ouvirmos que fulano de tal é “über compertente”, segundo ele mesmo, enquanto os colegas dizem que é tudo “marketing pessoal”.

Essa é uma forma bastante clara de percebermos o conceito de “recepção” que citamos no post anterior sobre as diferenças entre marketing e branding.

 

Podemos dizer, criando um certo desconforto, que marketing pessoal é o que nós dizemos de nós mesmos, com a intenção de criar uma “imagem na mente do cliente” (NT. odeio essa citação como um todo, “imagem”, “mente” e “cliente”…) sem que isso seja, necessariamente, verdade.

 

A marca pessoal ou branding pessoal, trabalha da mesma forma que o branding corporativo: emite uma promessa cuja autenticidade deve, necessariamente, ser comprovada. Simples assim.

 

Claro que não é nada fácil, ser, fazer e parecer de forma alinhada, até porque se fosse fácil todo mundo faria. É preciso clareza sobre quem se é profissionalmente e sobre as suas características, positivas e negativas. Seu posicionamento, suas escolhas, sua personalidade, devem transmitir e traduzir essas características, que nas marcas pessoais são facilmente identificadas como “identidade”. Esse cuidado vai da roupa ao C.V, passando pelo discurso e pela atitude.

 

Uma marca pessoal não significa uma empresa com o nome do dono, “clínica fulano de tal” ou “fulano de tal advogados associados”.

 

Na verdade tenho bastante dúvida ( de fato não tenho ) se esses exemplos são marcas pessoais mesmo ou se são marcas baseadas originalmente em uma pessoa, o que pode ser bem diferente.

 

Uma marca pessoal pode ser a de um funcionário, executivo, operário. “O cara que resolve”, “aquele encostado”, o “que só reclama” são características de algumas marcas pessoais.

 

Você já pensou como você se comporta e se comunica? ou ainda, se você é uma marca ou um produto?

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | março 14th, 2013

CEB+D RESPONDE 03: Crossbranding e Co-branding

 

 

Crossbranding é também conhecido como Cross marketing ou Cross promotion, termos que nos parecem fazer mais sentido. 

É uma forma de promoção onde os clientes de um produto ou serviço são alvo de promoção de um produto relacionado, esse tipo de ação pode envolver duas ou mais empresas trabalhando  em conjunto na divulgação/promoção de um produto ou serviço, de uma forma que beneficia todos os envolvidos. 

 

Já o Co-branding é uma associação, uma aliança de marcas ( que para muitos autores, e pra gente aqui na CEB+D,envolve o crossbranding) 

 

A definição mais comum é uma associação que envolve marcas de diferentes empresas que se combinam para criar programas eficazes, estratégicos ou táticos, de construção de marcas, ou para criar oferta de mercado na forma de aliança de marcas.

 

As principais vantagens são:


Tomar emprestado a experiência e o conhecimento técnico

Alavancar uma percepção de marca que não se possui

Reduzir custos de lançamento de produto

Expandir a marca para outras categorias

Ampliar o significado da marca

Aumentar os pontos de contato

Fonte de receita adicional

 

O grande desafio reside na qualidade dessa associação e no sentido que elas devem fazer para a audiência de todos os participantes.

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | março 13th, 2013

CEB+D RESPONDE: Marca, logotipo e logomarca,não é tudo a mesma coisa?

Marca é o nome da empresa, sua essência, sua identidade, o conjunto de sua comunicação interna e externa, seus funcionários,suas audiências, enfim, uma cultura e uma promessa.

Dessa forma fica bastante evidente que marca é algo que se encontra em uma esfera muito anterior a do logotipo.

Logotipo, por sua vez, é a tradução gráfica de uma marca, sua representação, uma forma de tornar tangível suas características intangíveis. Um logotipo pode ser composto por letras e símbolos, separados ou combinados.


A palavra logotipo vem do grego "logos", que significa conhecimento e palavra e "typos"  que significa padrão e grafia. A soma dessas palavras criaria algo como "grafia da palavra" ou "palavra padrão".


E logomarca? simplesmente não existe.


No livro “O efeito multiplicador do design” a autora atribui essa palavra a uma forma do seu genial inventor se referir a identidade visual mista ou assinatura visual, quando a representação da marca é composta por letras e símbolos.


Agora, o que dói mesmo é quando alguém diz com a maior propriedade: “ a logo”…

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | março 11th, 2013

Lucro, orgulho e transformação


Recentemente, para minha surpresa, o publicitário Nizan Guanaes tem se aproximado dos conceitos de branding e discutido com bastante propriedade o que já dizemos nesse mesmo espaço desde quando ele achava que branding não existia: marcas são ecosistemas complexos com vários protagonistas e agentes.

“Não adianta mais ter um roteiro pronto, por melhor que sejam as falas. É preciso estar pronto para o diálogo, a exposição e o escrutínio permanentes de um público que cada vez mais tem mais informação sobre você, seus fornecedores, seus concorrentes, seus preços, suas práticas comerciais, suas relações com a comunidade.”

Resumindo, não dá pra enganar todos por muito tempo como tentou fazer o marketing e a publicidade!

Cada vez mais se fala, e já não é de hoje, do consumo consciente. Sustentabilidade já não é mais diferencial competitivo, é algo esperado, cobrado…padrão.

A identificação entre consumidores e marcas, essência do branding, se dá em diferentes esferas. Ela pode começar como uma relação estética, passar por aspectos sociológicos, antropológicos e chegar ao nível ideológico. Compramos motivados pelos valores que a marca representa e como esses valores, podem, em última instância, ratificar os nossos próprios valores enquanto indivíduos pertencentes ao emaranhado social de nossas respectivas tribos.

Mais do que alinhamento entre o que se faz, o que se fala e o que se é, as marcas começam a perceber que o “como”, o processo produtivo, tem impacto relevante na sua identidade. Recentemente, em uma dinâmica de construção colaborativa de marca em um dos grupos produtivos atendidos pela agência discutimos sobre as famosas ecobags, símbolo de um movimento pró sustentabilidade e rapidamente usada e difundida como ícone do engajamento ambiental por todos os tipos de marcas. Comentava que em uma grande cadeia de livrarias, enquanto esperava na fila, vi penduradas naqueles locais destinados a compra por impulso ( o que já é meio questionável conceitualmente, mas totalmente justificado sobre o ponto de vista do V.M)umas enormes sacolas vendidas a um preço absurdamente baixo. Instantaneamente pensei “ Made in China”, tinha razão.

A complexidade das relações entre marcas e consumidores obrigará ( já obriga na verdade) a pensarmos sobre um prisma multi-focal. Não basta só oferecer um produto, esse produto TEM QUE FAZER SENTIDO.

Esse exemplo mostra como uma iniciativa de engajamento ideológico pode ter um efeito completamente inverso (ou pior ainda, nem ser um engajamento ideológico, o que é muito mais grave). Do que adianta um produto ser ecológico e ser produzido em regime semi-escravo em qualquer país que seja?

As relações de trabalho mais justas também são um novo gargalo e certamente um novo horizonte para as marcas. Os benefícios sociais junto aos benefícios ambientais e a produtos e serviços alinhados serão grandes ativos estratégicos em um futuro muito próximo.

Como disse o sr. Nizan na coluna citada “ é preciso fazer 2 perguntas: Isso dará dinheiro? Isso dará orgulho?

Como profissional e ideólogo incorrigível, acrescentaria mais 2 perguntas ao questionário: Isso fará sentido? Isso transformará a realidade?

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | março 6th, 2013

Marcas, personalidades, erros e reparações.

 

 

 

O caso do suposto assassinato da modelo sul- africana pelo atleta Oscar Pistorius levantou mais uma vez, nos círculos do marketing e comunicação, a polêmica do uso da figura dos “garotos propaganda”


Historicamente muitas marcas associaram sua personalidade a personalidade de celebridades, sejam elas atletas, artistas ou portadores da discutível “fama instantânea”.


A personalidade de uma marca, diante da perspectiva do branding, é algo sério que necessita de constante cuidado. É a forma como a marca se comporta diante do mercado, interno e externo, e, obviamente, deve estar absolutamente alinhada com sua identidade, sua essência e seu posicionamento.


Como gestor de marca sempre me preocupei e questionei essa prática, dificilmente consegui identificar, com raras exceções, personalidades que pudessem ser totalmente relacionadas as marcas que representam. Um dos casos que merece destaque é a figura emblemática do Comandante Rolim Amaro, o homem por trás e, porque não, pela frente da marca TAM. No seu ápice, a Cia. Aérea tinha seu “garoto propaganda” apertando a mão dos passageiros nos importantes voos que saíam de Congonhas pela manhã. Esse é um caso interessante de um “personagem de marca” que não aparece na publicidade mas participa ativamente da experiência do cliente. Um caso no mesmo caminho, mas com resultado muito diferente é da Ultrafarma, onde o garoto propaganda aparece até no próprio logotipo da empresa, embora, me pareça que o resultado não seja tão impactante quanto o dito anteriormente.

Mas a principal diferença de ambos os casos em comparação ao caso do atleta sul-africano, por exemplo, é que, esses personagens de marca, efetivamente, são as próprias marcas, e isso muda tudo.


A publicidade parece, muitas vezes, se preocupar com as características mais superficiais e óbvias dos eleitos para “garoto propaganda”, como um craque global de futebol, ou uma super model, e, com isso, importar o prestígio e a qualidade, muitas vezes indiscutíveis no aspecto profissional do contratado.


O problema é que um profissional é, antes de tudo, uma pessoa, e esses diferentes aspectos ( público e privado) são, por mais que tentemos, indissociáveis. Não importa alguém ser um gênio do atletismo e ser acusado de matar a namorada, ou um jogador de golfe brilhante e se envolver em escândalos sexuais.


Sempre que se escolhe o caminho do “personagem da marca” atrela-se uma personalidade a outra, ou melhor 3 personalidades ( pública e privada do personagem e a própria personalidade da marca) isso deveria ser bastante claro.


Quando presencio algum desses casos de perda de patrocínio me pergunto se as marcas estão totalmente corretas nesse processo, é evidente que não se deve apoiar qualquer tipo de delito. mas fico com a impressão de que elas se “aproveitam” do momento na carreira desses profissionais e num primeiro deslize ( que pode ser realmente muito grave como um possível assassinato ou algo muito superficial como um namoro flagrado dentro do mar) rapidamente fazem questão de se desvincular imediatamente de tal fato. 


Me pergunto se não seria mais “humano” uma tentativa de apoio a tais personalidades, ou pelo menos uma forma mais progressiva de distanciamento, pelo menos até que sejam provadas as tais acusações.


Quando abandonamos instantaneamente nossos personagens estamos afirmando que só nos interessa a sua habilidade, seja ela qual for, desde que suas inabilidades sejam devidamente particulares e não venham a público ( como nos escândalos sexuais, por exemplo)


Em um mundo onde cada vez mais buscamos uma relação afetiva e emocional com as marcas, fica a pergunta, você gostaria de se relacionar com alguém notoriamente infalível?

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | fevereiro 25th, 2013

O Novo Site CEB+D

 

Entrevista com o povo da agência, feita pelo povo da agência, sobre o novo site da CEB+D.

 

Porque a mudança do site agora?ele já estava velho há bastante tempo…

 

CAIO: É verdade está velho há bastante tempo. o site novo está em processo desde o começo do ano passado. Será que isso já faz com que ele  seja velho tb ? Mas eu acho que esse novo site reflete um novo momento que tb já passou rs, ou seja, isso é a prova de que a tecnologia não é tão dinâmica quanto se fala, principalmente se a gente pensar que a gente fez todo o material impresso novo da agência em 25 dias. 

 

MARIANE: Não tava velho nada! O site  nasce de um momento da agência e teve sua fase para completar seu ciclo que termina agora. Uma nova fase precisa de um novo momento. O site deve refletir o momento atual da agência.


BETINA: Na verdade, depois dos 40 anos do Caio ele entrou numa crise de terceira idade e quis mudar tudo na vida dele, o coitado do site foi nesse rolo. Ele quis colocar sombras e drop shadows pra ser “jovem” mas eu não deixei. Brincadeirinha, na verdade é tudo que a Mariane disse.

 

Essa mudança tem algo a ver com a nova identidade visual da agência?

 

C Tem tudo a ver, na verdade  a identidade também reflete esse novo momento.  A gente deixou de ser um estúdio, onde eu estava sozinho e passou a ser uma agência multidisciplinar, esse foi o propulsor da mudança. Não fazia sentido deixar o mesmo nome, embora seja, só que dito de outra maneira. Deixamos de ter um caráter pessoal de estúdio e passamos a ser uma estrutura conjunta, por mais que seja eu quem decida no final (rs)

 

M Sim claro, não poderíamos mudar a identidade visual sem mudar o site. Como dá pra perceber saímos da fase black ( quando a agência estava somente focada no Caio) e migramos para a fase sol ( com o amarelo na identidade ) rs

 

B Totalmente. Fomos de Gothan City direto para a Disney! brincadeira …

Como eu sempre fico por último pra responder, a resposta correta é : a do Caio e posso acrescentar apenas que nessa casa de Ferreiro o espeto não é de pau, é de Adamantium!

 

 

 

Qual o conceito por trás do novo site?

 

C na verdade 99,8% do mercado não faz a menor ideia do que é branding. As definições são confusas, muita gente acha que branding é design, outros acham que é marca e outros acham que são os dois…

Esse novo site é uma tentativa de concentrar o máximo de informação possível de uma maneira mais leve e fácil de compreensão pra facilitar a nossa vida e dimunuir as caras de interrogação durante as reuniões 

 

M Não faço a mínima ideia (rs) … é um site que tem como base a pulverização da informação, achamos que somente descrever nossos serviços ou mostrarmos  o nosso portfólio não seria eficaz para o trabalho que desenvolvemos. Falamos para um públlico que nem sempre sabe ou entende o que fazemos

 

B O site representa todos os nossos valores enquanto agência e enquanto indivíduos. Visão estratégica, conceito, design, modularidade, formação plural, ou seja, a gente é o que a gente vende ! Alinhamento de quem se é, o que se fala, como se fala e para quem se fala.

 

 

O site não ficou muito complicado?

 

C Na verdade não, brinco aqui na agência que se o cliente quiser informação direta, instantânea, ele deve procurar um site de leilão de logos, esses que vendem identidade visual como pastel. Branding é um processo trabalhoso, com muitas camadas de informação, acho que o nosso site está alinhado com isso, explicando bem esse processo, metodologia…afinal, falar que faz branding qualquer um fala, já fazer…

 

M O site é recheado de conteúdo e isso é raro hoje em dia. Acho que esse caráter didático que ele tem ajuda a descomplicar qualquer tipo de complicação que poderia existir. 

 

B Não acho ele nem um pouco complicado, a leitura é até linear! rs

 

 

Não é perigoso expor tanto assim a metodologia da empresa?

 

C Nem um pouco. É importante as pessoas entenderem o que o branding é o que ele envolve, até para saberem o que estão comprando e poderem comparar de forma correta. E tem mais, metodologias são iguais receitas culinárias, tem aos montes por aí. O problema é que quando você faz, quase nunca fica igual a comida do restaurante, ou seja, a receita é só parte da solução.


M Sempre costumo dizer: ter medo de dizer o que faz e como faz é sinal de insegurança. Como o Caio bem disse é igual a receita culinária. No nosso caso temos uma medodologia própria, isso não nos blinda, mas com certeza o nosso trabalho sempre será o nosso trabalho e de mais ninguém

 

B As pessoas não sabem o que é Branding, ou qual a dimensão dele (nem a grande maioria da minha área, então imagina…). E quando acham que sabem, dizem que é marketing e Branding não é e nem nunca foi marketing (Kotler tb não sabe disso). Acho importante para o cliente ter tudo exposto, explicado, cavocado.. assim ele tem a oportunidade de fazer um investimento de forma correta, de saber se é isso que ele precisa ou não. Simples assim.

 

O humor está presente em grande parte dos textos, vcs são sempre engraçadinhos assim?

 

C O mais importante é não se levar tão a sério, a ponto de não conseguir tirar sarro de você mesmo. 

 

M Nesse mundo predador em que vivemos sem humor não sobreviveríamos. As coisas ficam mais leves e isso reflete no nosso trabalho

 

B Morde e assopra é uma técnica milenar muito eficaz.

 

No site vemos várias interfaces com as redes sociais, qual a importância desse tipo de conexão para a agência?

 

C As conexões são essenciais, não só na nossa agência, mas em qualquer negócio. No nosso caso é bastante simples: Site é um showroom, Blog serve de fórum para as discussões mais cabeludas, Facebook é o lugar das atualidades e o twitter é unica e exclusivamente pra gente se sacanear mutuamente e publicamente, embora de vez em quando entre alguma coisa séria no meio.

 

M Hello! como assim qual a importância de estar no mundo virtual ? Tudo acontece no mundo virtual hoje!

 

B A internet é a vida real, ou pelo menos faz parte dela. Compra, vende, namora, briga, pesquisa, fofoca, reclama, elogia, estuda, desabafa, casa, separa, contrata, e mil etcs. As relações humanas se estendem por vários meios, queremos estar em todos. Respondido?

 

Como vocês esperam que esse site seja recebido pelos clientes?

 

C Os clientes já conhecem bem a gente e vão entender na hora. Os ainda não-clientes, espero, percebam que dá pra ter um site bacana sem ser comprado na banca. Também espero que a gente consiga ser compreendido de forma mais abrangente.

 

M Quero que todos morram de inveja! rs brincadeira… a gente pode fazer isso pro eles tb!

 

B O Caio tem razão, quem já conhece a gente vai entender na hora. Pra quem ainda não conhece, espero que pelo menos inspire: “se eu não vendo pastel, porque todo mundo acha que sou pastelaria?”

 

Quais as próximas invenções da CEB+D?

 

C Dominar o mundo

 

M Fazer o branding da lua e toda a campanha de viagens interplanetárias

 

B Uma máquina do tempo, o projeto já está em andamento.

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | fevereiro 18th, 2013

Brandpill 204: Publicidade e certificado de origem.

Hoje de manhã li na Folha de S.Paulo a coluna do publicitário Nizan Guanaes, profissional que, mesmo com a reconhecida importância, discordo na maioria das vezes. Hoje , em partes, não foi diferente:

 


“Não precisamos dominar o mundo, mas podemos encantá-lo. Somos um gigante pacífico, tolerante, miscigenado. O "Made in Brazil" pode ser muita coisa. Mas nossa história não pode ser contada pelos mercados e seus interesses. Ela tem de ser contada por "nós, o povo", como diz lindamente a Constituição norte-americana. A propaganda terá um papel importante nessa construção por seu poder de síntese e representação, por seu poder inigualável de comunicar, de transformar e valorizar pela comunicação.”

 

Claro que concordo com a valorização da marca-país, só não concordo que essa é uma questão predominantemente publicitária. No mundo todo, e esse fenômeno é crescente, empresas são contratadas para criar as marcas-lugar. Um detalhe brasileiro põe essa discussão em uma outra perspectiva: quem realmente nós somos? qual a nossa vocação diante do mundo ao nosso redor? Já aprendemos que não basta comunicar algo que não se é, hoje isso não é mais suficiente e muito menos encantador. A publicidade, por anos, vendeu mulheres de biquini ( ainda vende) carnaval e alegria histérica. Que identidade é essa? então… identidade não é uma questão publicitária… 
Uma marca forte nasce de dentro para fora e começa sendo a expressão real de uma identidade nacional, por mais miscigenada que ela seja. Será que somos um povo alegre, colorido e feliz? só isso? Vários eventos de caráter global ocorrerão em nosso país nos próximos anos. Mais do que um belo logotipo para as olimpíadas ( e um logotipo vexatório para a copa do mundo) nosso belo país será julgado pela sua capacidade organizacional, sua infra estrutura, sua hospitalidade e porque não, sua competência. E isso não se resumirá aos eventos esportivos exclusivamente. Enquanto nosso país não acreditar nele mesmo, enquanto não houver um projeto sério, concreto de estratégia pública e privada, uma sociedade articulada, carga tributária honesta para pessoas e empresas, continuaremos a ser um certificado de origem sim…para o turismo sexual.

Facebook Twitter e-mail

Sem Comentários » | novembro 13th, 2012